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Potências ocidentais ameaçam Rússia com medidas severas
12/02/2022 11:31 em Mundo
Um novo alerta feito por autoridades dos Estados Unidos sobre a iminência de um ataque da Rússia à Ucrânia — ainda durante as Olimpíadas de Inverno de Pequim, que se encerra no próximo dia 20 — deixou, ontem, a comunidade internacional em sobressalto. Após uma reunião de emergência, por videoconferência, as potências ocidentais prometeram impor medidas punitivas severas a Moscou, que atingirão os setores financeiro e energético, caso o presidente Vladimir Putin ordene a ofensiva.
 
Nesse clima de alta tensão, o presidente dos EUA, Joe Biden, e o líder russo agendaram para hoje uma conversa telefônica para discutir a crise. Também está previsto um diálogo, separado, entre Putin e o presidente da França, Emmanuel Macron.
 
Diante do agravamento da situação, o governo americano pediu que os norte-americanos que estão na Ucrânia deixem o país em 48 horas. Reino Unido, Japão, Finlândia, Coreia do Sul e Holanda fizeram o mesmo apelo a seus cidadãos.
 
A videoconferência de ontem contou com a participação, além de Biden, dos chefes de Estado ou de governo de seis países aliados (Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Polônia e Canadá). Também os líderes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e da União Europeia (UE) marcaram presença no encontro remoto.
 
"Todos os esforços diplomáticos procuram persuadir a Rússia a ir para a desescalada. O objetivo é evitar uma guerra na Europa", tuitou o porta-voz do governo alemão após a videoconferência. "Mas os aliados estão determinados a tomar conjuntamente medidas rápidas e severas contra a Rússia se houver novas violações da integridade territorial e soberania da Ucrânia", acrescentou.
 
Essas ações terão como alvo principal "os setores financeiro e energético, bem como as exportações de produtos de alta tecnologia", segundo a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, citada em comunicado deste órgão, considerado o Executivo da UE.
 
Escalada
O governo americano estima que a Rússia pode entrar em ação na Ucrânia "a qualquer momento", inclusive antes do fim dos Jogos de Inverno de Pequim, segundo o assessor de segurança nacional da Casa Branca, Jake Sullivan. "Continuamos vendo sinais de escalada russa, incluindo a chegada de novas forças na fronteira com a Ucrânia", disse, para em seguida ressalvar que os Estados Unidos "não estão dizendo" que Putin já tomou a decisão de invadir, afirmou.
 
O chefe da diplomacia dos EUA, Antony Blinken, fez igualmente a previsão de possibilidade de um ataque à Ucrânia "a qualquer momento", lembrando que Moscou concentrou mais de 100 mil soldados e armas pesadas na sua fronteira com a ex-república soviética. O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, voltou a alertar que existe um "risco real de um novo conflito armado" na Europa. O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, por sua vez, disse "temer pela segurança da Europa nas atuais circunstâncias".
 
A despeito do tom alarmista, Biden descartou o envio de soldados para a Ucrânia, mesmo para retirar seus cidadãos no caso de uma invasão. Essa iniciativa, enfatizou, poderia provocar uma "guerra mundial".
 
As negociações diplomáticas aumentaram nos últimos dias, mas nenhum progresso foi feito para resolver a crise, que os ocidentais descrevem como a mais perigosa desde o fim da Guerra Fria, há três décadas. Em intensa movimentação, Macron visitou Moscou e Kiev em menos de 24 horas, no início da semana. O líder francês chegou a falar em possíveis avanços, que não se confirmaram.
 
A Rússia, que anexou a Crimeia em 2014, nega ter intenção bélica em relação à Ucrânia, mas condiciona a desescalada a que a antiga república soviética nunca seja incorporada à Aliança Atlântica. Uma condição que os ocidentais consideram inaceitável.
 
Os sinais do Kremlim, porém, são considerados contraditórios. Ao mesmo tempo em que rejeita uma invasão, Moscou iniciou manobras militares, na fronteira da Bielorrússia com a Ucrânia. Além disso, a Marinha russa está realizando exercícios no Mar Negro.
 
Protocolo anticovid
A distância entre o francês Emmanuel Macron e o russo Vladimir Putin, cada um na ponta de uma mesa de seis metros de comprimento, intrigou quem viu a imagem da reunião entre os dois presidentes em torno da crise na Ucrânia, terça-feira, no Kremlin. Ontem, Moscou esclareceu a situação, negando um pano de fundo político. A medida foi adotada, segundo o governo Putin, por conta da covid-19.
 
Dmitri Peskov, porta-voz do Kremlin, indicou que a decisão de usar a mesa para a reunião entre Putin e Macron ocorreu porque o líder francês se negou a fazer um teste PCR na sede do governo russo.
 
O Palácio do Eliseu justificou que as condições protocolares para um encontro entre os dois chefes de Estado com um distanciamento menor e um contato que incluía um aperto de mãos, não lhe pareceu aceitável e compatível com as limitações da agenda. Macron havia feito um teste antes do encontro, destacou o governo francês.
 
"Escolhemos a outra opção proposta pelo protocolo russo", explicou um assessor próximo a Macron. Em caráter reservado, colaboradores do governo francês chegaram a comentar que a decisão teve o objetivo de preservar o DNA do presidente.
 
Na internet, a foto divulgada gerou uma chuva de piadas de comparações com a distância mantida em outros encontros com dignatários estrangeiros, como o presidente argentino Alberto Fernández e o presidente do Cazaquistão, Kassym Jomart Tokayev. "Isso se deve ao fato de alguns seguirem suas próprias regras, não cooperam com o anfitrião", disse Peskov. "Não é política e não interfere de forma alguma nas negociações", acrescentou.
 
Fonte: Diário de Pernambuco
 
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